A Beleza do Comportamento Moral no Islam I

Capturar5

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

 

A civilização islâmica introduziu aspectos de beleza comportamental e moral que não tiveram precedentes em qualquer outra legislação, no que diz respeito às boas maneiras, respeito e palavras gentis. A este respeito, sorrir é considerado uma caridade (sadaqah)! O tratamento educado tem uma recompensa de Deus! Contrair a ira e perdoar os malfeitores é um grau da benfeitoria (ihsan) e conquista o amor de Allah.

Esta é a maravilha da beleza da moral humana, que de fato reside na beleza da boa conduta, na beleza do discurso, na beleza da humanidade com os outros e na beleza das relações com os outros.

 

O sorriso, a alegria da face e a boa palavra

 

Sorrir é uma linguagem humana universal, um tipo de beleza sublime, um comportamento que reflete a aceitação, a serenidade, a tranqüilidade e a cordialidade humana.

O sorriso, de acordo com os linguistas, é o princípio do riso. É estender a face, aparecer os dentes de alegria. Ele reflete alegria abstrata, como Allah (exaltado seja) disse: [Nesse dia haverá faces radiantes, sorridentes, exultantes]. (Ábassa: 38-39). Sorrir é exclusivo dos seres humanos, e não existe em outros animais[1]. Portanto, sorrir é uma espécie de beleza moral e do comportamento humano.

O Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) costumava sorrir o dia todo e em toda a sua vida. O Profeta (paz esteja com ele) foi o homem mais sorridente, brincava com seus companheiros e os tratava com delicadeza, porém, só falava a verdade. Abdullah ibn Al-Harith (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “Eu nunca me deparei com uma pessoa que sorria tanto como o Profeta (paz esteja com ele).”[2] Jarir ibn Abdullah (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: “O profeta (a paz esteja com ele) nunca me impediu de entrar com ele desde que eu abracei o Islam, e sempre que ele me via, me recebia sorrindo”.[3]

A maior parte da risada do Profeta (paz esteja com ele) era um sorriso, e quando sorria, seus dentes brancos apareciam.[4]

Al-Imam Ibn Al-Qayim descreveu o riso do Profeta (a paz esteja com ele), dizendo: “Quase, ou até mesmo todo o seu riso era sorrir. Seus molares costumavam aparecer ao final de seu riso, e ele ria do que despertava risos, que é o fato cuja ocorrência é estranha e rara”. E após registrar a descrição, ele (Ibn Al-Qayim) revela a orientação ou filosofia do riso do Profeta (a paz esteja com ele) dizendo: “O riso tem muitos motivos, e este é um deles. O segundo motivo é o riso de alegria, que é ver o que lhe agrada ou alegra. E o terceiro: o riso por ira e o sentimento de poder sobre o seu adversário e que este está em seu controle, e pode estar rindo quando contém a sua ira, e se desvia de quem o deixou nervoso, mostrando indiferença com ele”[5].

Isto confirma o que foi narrado por Anas ibn Malik, que disse: “Eu estava andando com o Mensageiro de Allah (a paz esteja com ele), que estava vestindo uma túnica de Najran de barra grossa, um beduíno o alcançou e o puxou fortemente pela sua roupa, Anas disse: Eu olhei para o ombro do Profeta (a paz esteja com ele), que foi afetado pela barra do manto por causa da gravidade da puxada. Em seguida, disse: “Ó Muhammad , passe-me da riqueza de Deus que você tem”. Ele virou pra ele e riu, e depois ordenou ama oferta para ele”[6].

O Profeta (a paz esteja com ele) não só foi um exemplo na realização desta beleza humana, mas também convidou a ela e a incentivou. É narrado por Abu Zhar que o Mensageiro de Deus (a paz esteja co ele) disse: “Teu sorriso para o teu irmão é uma caridade”[7].

Isto significa que mostrar a alegria para os outros quando os encontram tem uma grande recompensa, assim como a caridade tem recompensa[8].

É um ato simples, fácil, que não custa nada e não extenua, porém tem um marca igual a mágica nas pessoas. E no Islam é considerado um um “bem” (ma’ruf), que é o tudo o que agrada a Deus e ao Seu Mensageiro. Abu Zhar também disse: O Profeta disse-me: “Não menospreze nada do bem, mesmo que seja você encontrar o seu irmão com face alegre”[9]. Ou seja: com a face fluente, fácil, estendida e brilhante.

 

Sorriso, caminho para os corações

O sorriso e a fluência da face é o primeiro caminho para os corações e para a disseminação do amor, da bondade e da compaixão entre as pessoas, porque abrange a sociedade com segurança, fraternidade e harmonia, e uma sociedade como essa é a sociedade desejada pelo Islam, e para isso foram reveladas as leis. Estas coisas simples fazem parte da crença, e o crente é próximo das pessoas. O Mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) disse: “O crente é se familiariza e é familiarizado, não há bem em quem não se familiariza nem é familiarizado, e as melhores pessoas são as mais úteis para as pessoas”[10].

Este hadith não é um convite para o crente ser apenas familiar, mas também tem o alerta contra o seu oposto, ou seja, o abandono desses assuntos é inaceitável no Islam, e nem são assuntos considerados apêndices não-essenciais.

E a boa palavra no Islam deve ser para todas as pessoas e com todas as pessoas. Allah (exaltado seja) disse, no texto que contém ordens para os filhos de Israel: [E dizei o bem às pessoas] (Al Baqarah: 83).

E Abu Hurairah narra que o Mensageiro de Deus (a paz esteja com ele) disse: “Quem crê em Allah e no Último Dia, então que não moleste o seu vizinho, quem crê em Allah e no Último Dia, então que honre os seus hóspedes, quem crê em Allah e no Último Dia, que fale o bem ou que permaneça em silêncio”[11].

Al-Hafidh Ibn Hajar disse ao comentar sobre este hadith: “A síntese deste texto é que quem carrega a característica da fé deve se caracterizar com a compaixão para com a criação de Allah, com a boa palavra, o evitar do mal, a prática do que beneficia e o abandono do que prejudica”[12].

E Al Imam Al Fakhr Al Razi resume a questão da boa palavra em sua interpretação do verso [E dizei o bem às pessoas] (Baqarah: 83), ele considera que este versículo abrange toda a educação da vida e da religião, dizendo: “Os estudiosos disseram: os assuntos das pessoas podem ser assuntos religiosos ou assuntos mundanos.

– Se for matéria de religião, pode ser no convite à fé, com os incrédulos, ou no convite à obediência, com os desobedientes.

  • O convite à fé deve ser feito com boa palavra, como Allah (exaltado seja) ordenou a Moisés e a Aarão: [Dizei-lhe dito afável, na esperança de ele meditar ou recear a Allah] (Taha: 44). Allah ordenou-lhes serem gentis com Faraó, mesmo com a alta posição que têm, e mesmo que o Faraó fosse incrédulo e rebelde ao extremo contra Deus (exaltado seja). E também disse ao Profeta Muhammad: [E se você fosse bruto e de coração duro eles teriam se debatido de torno de você] (Al-Imran: 159).
  • E quanto ao convite dos malfeitores (que já são crentes), a boa palavra também é considerada. Allah, Altíssimo seja, disse: [Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação] (Al Nahl: 125). Ele também disse: [Revida o mal com o que é melhor, então, eis aquele entre o qual e ti há inimizade, como íntimo aliado] (Fussilat: 34).

– E quanto aos assuntos mundanos, é conhecido como necessário que se for possível atingir o objetivo com a gentileza no dizer, não há outra alternativa melhor.

Então, se estabeleceu que toda as educações da religião e dos assuntos mundanos estão inclusos no verso: [E dizei o bem às pessoas] (Baqarah: 83).”[13]

E com esses ensinamentos, todo muçulmano deve se tornar belo: sorrir, ter uma face alegre e boa palavra.

 

[1] Veja: Al Zubaidi: Taj Al Árus min Jauahir Al Qamus, 27 / 249, 250.

[2] Al Tirmizhi: Kitab Al Manaqib (Livro das Qualidades) (3641), Ahmad (17740). Shu’aib Al Arnaut disse: Este é um hadith hassan.

[3] Al Bukhari: Kitab Al Adab (Livro das boas maneiras) (5739), e Muslim: Kitab Fadhail Al Sahabah (Livro das virtudes dos Sahabah) (2475).

[4] Al Tirmizhi: Al Shamaíl, p 20.

[5] Ibn al-Qayim: Zad Al-Ma’ad, 1 / 182 183.

[6] Al-Bukhari: Kitab Al Khumus (2980), e Muslim: Kitab Al Zakat (1057).

[7] Al-Tirmizhi: Kitab Al Bir wa Al Silah (Livros da virtude e da união dos laços) (1956), Ibn Hibban (474, ​​529). Shuaib Al-Arnaut disse: Hadith autêntico. Al Adab Al Mufrad (891), e Al-Albani disse: É autêntico. Veja: Sahih Al Jami’ (2908).

[8] Al Mubarakfuri: Tuhfatul Ahuzhi bisharh jami’ Al-Tirmizhi, 6 / 75, 76.

[9] Muslim: Kitab Al Bir wa Al Silah wa Al Adab (Livro da virtude, da união dos laços e da educação) (144), e Ahmad (15997), e Ibn Hibban (468).

[10] Ahmad (9187) e Al Hakim (59). E Al Albani o considerou hassan em Sahih Al Jami’ (6662).

[11] Al Bukhari: Kitab Al Adab (Livro da educação) (5672), e Muslim: KItab Al Iman (Livro da fé) (47).

[12] Ibn Hajar: Fath Al-Bari 10/446.

[13] Al-Fakhr Al-Razi: Al Tafsir Al Kabir 3 / 568.

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