A Preocupação do Islam com a Beleza da Roupa do Ser Humano

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Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

 

O Islam também deu atenção à roupa vestida, pois a roupa agradável e limpa reflete positivamente sobre a própria pessoa que a veste e sobre aqueles que vivem ao seu redor, e até mesmo sobre aqueles que o vêem, apesar de não conhecê-lo.

Quando o Nobre Alcorão falou sobre a benção das vestes, mencionou que cobre as partes íntimas (al áurah) e que é um adorno.

A natureza do homem foi criada com a índole de ocultar as partes vergonhosas do corpo, ao contrário dos animais e pássaros. Essa natureza, por si mesma, é bela, mesmo sendo uma necessidade. Quando Adão e sua esposa comeram da árvore, suas partes vergonhosas foram expostas a eles. Quando eles viram [começaram a aglutinar as folhas do Paraíso sobre suas partes íntimas] (Al A’araf: 22). “Isso revela que o ser humano se envergonha quando suas partes íntimas são expostas. Somente as pessoas de uma natureza corrupta se despem e expõem suas partes vergonhosas.”[1]

Assim, a roupa adequada é uma natureza e uma necessidade implantada na alma. É uma benção de Allah, porém Ele chamou a nossa atenção para o que ela contém de benção da beleza e da beleza do interior. Allah (exaltado seja) diz: [Ó filhos de Adão! Com efeito, criamos, para vós, vestimenta para cobrir vossas partes pudendas, e adereços. Mas a vestimenta da piedade, esta é a melhor] (Al A’araf: 26).

Em um dos primeiros versos do Alcorão a ser revelado, lemos: [E a teus trajes, purifica-os] (Al Muddathir: 4). Como é belo que o Islam – desde o primeiro dia em que foi revelado para a humanidade – se preocupe com o aspecto exterior assim como toma conta do aspecto interior. Ele combina o monoteísmo à limpeza do ser humano: [E a teu Senhor, magnífica-O! E a teus trajes, purifica-os] (Al Muddathir: 3, 4).

A limpeza da veste aqui é no sentido material da palavra e aplica-se também sobre os pecados e os excessos. Ibn Kathir diz: “Este versículo pode abranger tudo isso junto com a pureza do coração, porque os árabes denominam as vestes com este termo (coração).”[2]

 

O zelo do Islam pelo adorno

Allah (exaltado seja) recomendou o enfeite, dizendo: [Ó Filhos de Adão! Tomai vossos ornamentos, em cada mesquita Tomai vossos ornamentos em cada mesquita. E comei e bebei, e não vos entregueis a excessos] (Al A’araf: 31]. O versículo também acusou os que não fazem isso [Dize: Quem proibiu os ornamentos que Allah criou para Seus servos e as cousas benignas do sustento?] [Al A’araf: 32].

 

 Alguns estudiosos até mesmo exageraram no entendimento desse verso [Tomai vossos ornamentos, em cada mesquita] [Al A’araf: 31]. Eles estabelecem como condição para a eliminação da impureza (najassah) que seja lavada com água de rosas. Al Imam Al-Fakhr Al-Razi disse em seu tafsir: “Eles disseram na explicação desta opinião: Fomos ordenados a orar no dizer de Allah: [ E cumpri a oração] [Al An’am: 72]. E as orações são súplicas, e um adorador suplica a Deus, o que significa que somos ordenados a fazer outra coisa ao invés de oferecer orações. Isto significa que a validade das orações não depende somente de cobrir as partes íntimas. No entanto, estabelecemos isto como obrigatório conforme o versículo que diz: [Tomai vossos ornamentos, em cada mesquita]. (Al A’araf: 31). Assim, o uso de roupas lavadas pela água de rosas mostra o nível máximo de limpeza e ornamentação. Então deve ser feito para ser o bastante para a valizez da oração.”[3]

Quando o Profeta (a paz esteja com ele) viu um homem trajando roupas sujas, disse: “Este não poderia encontrar água para lavar sua roupa?!”[4]. E o Profeta (a paz esteja com ele) gostava das roupas brancas e as recomendava. Ele dizia: “Vistam as roupas brancas, pois elas são mais puras e mais agradáveis”[5]

Na biografia do Profeta (a paz esteja com ele), temos suas posições que merecem reflexão. A posição de um homem que gosta da beleza e zela por ela a ponto de temer que esta conduta seja a ostentação. E a posição de outro homem que não se importa com a beleza.

Ibn Masud narra que o Profeta (a paz esteja com ele) disse: “Ninguém que tenha mesmo o peso de um átomo de orgulho em seu coração entrará no Paraíso”. Um homem lhe perguntou: “O homem gosta que suas roupas sejam boas e que seus sapatos sejam bons” (Quer dizer, isso é contado como orgulho?) O Profeta (a paz esteja com ele) disse: “Allah é Belo e ama a beleza. O orgulho significa negar a verdade e menosprezar as pessoas”.[6]

Esta é a equação bem formulada estabelecida pelo Islam, o zelo pela beleza e pelo adorno, desde que isso não afete a alma, ou a empurre à ostentação. “Kibr” significa olhar para as pessoas de cima, que a pessoa se inche às custas dos outros. Não há problema em ser muito bonito, porque Allah (exaltado seja) gosta da beleza. No entanto, cuidado com um grão de vaidade, porque apenas um grão de vaidade pode privá-lo de entrar no Paraíso.

A este respeito, não é correto abandonar a beleza em sua totalidade por causa de piedade ou seguindo o que é melhor. E aqui apresentamos a segunda situação narrada por Abul Ahwas citando seu pai. Ele diz: “Eu vim ver o Profeta (a paz esteja com ele) com roupas esfarrapadas”. Ele disse: ‘Você tem dinheiro?’. Eu disse que sim. Ele disse: ‘Que tipo de dinheiro?’ Eu disse: ‘Allah me deu camelos, ovelhas, cavalos e escravos.” Ele disse: ‘Então, se Deus lhe deu riqueza, que seja observado em ti a marca da graça de Allah e Sua benção.”[7]

Com isso, percebemos como o Islam traça a moderação entre a negligência e o extremismo, entre a vaidade e a feiura. Allah é Belo e Ele ama a beleza, e também gosta de ver a marca de Sua bênção em Seu servo. No entanto, ele proíbe qualquer pessoa que tenha um grão de orgulho em seu coração de entrar no Paraíso.

O Profeta costumava se vestir bem. Conhecemos isso quando Ibn Abbas foi como um mensageiro de Ali ibn Abi Talib falar com os Kharijitas e convencê-los com a verdade. Devemos observar estar história, quando Ibn Abbas escolhe a melhor roupa que tem para cumprir esta missão. Abu Daud cita que Ibn Abbas disse: Quando Al Haruriyah (uma facção dos Kharijitas) fez uma revolta, eu vim até Ali (que Allah esteja satisfeito com ele). Ele disse: Vá até essas pessoas. Eu, então, coloquei a melhor roupa do Iêmen. Abu Zumayl (um dos transmissores) disse: “Ibn Abbas era bonito e tinha imponente semblante”. Ibn Abbas continua: Eu, então, vim a eles e eles disseram: Bem-vindo, Ibn Abbas! O que é essa peça de roupa? Eu disse: Por que vocês me contestam? Eu vi sobre o Mensageiro de Allah (que a paz esteja com ele) o que de melhor pode existir de roupas.[8]

 

O cuidado do Islam com a limpeza da roupa

O cuidado do Islam com a limpeza e pureza da roupa atingiu o nível de o Profeta (a paz esteja com ele) detestar que um muçulmano vá para a oração, especialmente a de sexta-feira, de roupa suja. Ele ainda recomenda que aqueles que trabalham em profissões onde as vestes se sujam a dedicar uma veste limpa para a oração de sexta-feira. O Profeta (a paz esteja com ele) diz: “Qual é o problema se algum de vocês tem duas peças para a sua sexta-feira (oração), além das duas peças para o seu cotidiano de trabalho?[9]

Na jurisprudência islâmica, a roupa é considerada impura (najis) uma vez que uma substância impura o suje, como urina, fezes e sangue. E a oração não é válida com esta roupa até que esta substancia seja removida, mesmo que seja pequena. Ahmad ibn Hanbal disse sobre que é atingida com urina ou fezes: “Deve voltar a fazer a oração, seja esta impureza pouca ou muita”.[10]

Al-Imam al-Mannawi resumiu esta questão quando disse: “A limpeza da veste e do corpo é necessária como por raciocínio lógico, pela lei islâmica e pela tradição… Sheikh Al-Islam Al-Burhan Ibn Abu Sharif usava roupas de extrema pureza, limpeza e brancura, numa medida que não foi alcançada nem mesmo pelas roupas dos reis do seu tempo, como se tivesse um pedaço de luz junto com sua roupa.

A limpeza faz com que se aumente o respeito pela visão e a majestade no coração. Muitas pessoas pobres minimizaram a importância da limpeza numa medida que é detestável racional e tradicionalmente, e pode chegar a ser desaprovado religiosamente. O Satanás ilude a alguns deles e os abstém da limpeza, inspirando-lhes frases como “limpe seu coração antes de limpar a sua roupa”. Isto não é um bom conselho dele, mas sim, para desestimular o cumprimento das ordens de Allah e de Seu Mensageiro Deus e o cumprimento do direito das pessoas que sentam com ele e dos locais de agrupamento, onde é necessária a limpeza. Se verificar bem este assunto, eles iriam perceber que a limpeza do exterior auxilia na limpeza da parte interior. Neste contexto, foi relatado que o Profeta nunca sujou uma roupa, porque só transparecia dele o bom aroma[11].

 

[1] Sayed Qutub: Fi Dhilal Al-Qu’ran (Às Sombras do Alcorão), 3 / 1269.

[2] Ibn Kathir: Tafsir Al-Qu’ran Al-Adhim, 8 / 263.

[3] Al-Razi: Al-Tafsir Al-Kabir, 14/232.

[4] Abu Daud: Kital Al Libas (Livro das vestes) (4062). Autenticado por Al Albani em Al Silsilah Al Sahihah (493).

[5] Ahmad (20166, 20213, 20231). Autenticado por Al Albani em Al-Jami’ Al Saghir (2115).

[6] Muslim: Kitab Al Iman (Livro da Crença) (91).

[7] Al-Nassaí: Kitab Al Zinah (Livro do Adorno) (5224). Al-Albani disse: É correto. Ver: Al-Sahih Al-Jami’ (254).

[8] Abu Daud: Kital Al Libas (Livro das vestes) (4037).

[9]  Abu Daud: Kitab Al Salat (Livro da oração) (1078) e Ibn Majah (1096).

[10] Masail Al-Imam Ahmad (As questões religiosas do Imam Ahmad), p 41.

[11] Al-Mannawi: Faidh Al-Qadir, 2/285.

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