O Incentivo do Islam ao Conhecimento… conhecimento ao alcance de todos

Legislação

 

Dr Ragheb Elsergany

Tradução: Sh Ahmad Mazloum

 

Os aspectos do zelo do Islam pela busca do conhecimento

Antes do Islam, os sábios estavam isolados do povo, e havia uma grande cratera entre eles e o povo. Os sábios na Pérsia, em Roma, na Grécia viviam absolutamente isolados, discutiam e debatiam entre si e herdavam o conhecimento entre si enquanto o povo vivia em total ignorância e completa distância de todas as formas de conhecimento, porém o Islam foi muito diferente!

O mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) veio para dizer com todas as letras: “A busca do conhecimento é obrigação de todo muçulmano”[1].  Assim, a questão tornou-se uma obrigação religiosa e tornou-se uma questão popular obrigatória a todos, pois todos devem buscar o conhecimento para tornarem-se – todos – aprendizes, sem exceção de nenhum homem e de nenhuma mulher.

O mensageiro de Allah (a paz esteja com ele) também realizou a aplicação prática deste sistema quando aceitou libertar os prisioneiros capturados na Batalha de Badr se cada um deles ensinasse dez habitantes de Al Madinah Al Munawarah ler e escrever. Esta foi uma ideia civilizada totalmente desconhecida no mundo naquela época, até mesmo, séculos depois daquela época.

O Islam ordenou seus adeptos a fazerem da questão do conhecimento uma questão básica em suas vidas e os ordenou elevar a posição dos sábios ao nível citado pelo mensageiro de Allah (a paz esteja com ele): “Aquele que percorrer um caminho à procura do conhecimento, Allah lhe facilitará o caminho ao Paraíso; os anjos inclinam suas asas para o procurador do conhecimento por agrado pelo que faz; e tudo quanto existe nos céus e na terra, até mesmo os peixes na água, imploram a Allah o perdão para o sábio; a virtude do sábio sobre o adorador é como a virtude da lua sobre os outros planetas; e os sábios são os herdeiros dos profetas, e os profetas não deixaram nem moedas de ouro nem de prata, mas deixaram o conhecimento, e quem o conquistar estará conquistando algo valioso”[2].

 

Os aspectos do movimento científico no Islam

Este movimento científico popular continuou depois da morte de mensageiro (a paz esteja com ele) e surgiram seus maravilhosos efeitos e manifestações que eram considerados sonhos em relação aos europeus. Basta-nos citar aqui três manifestações deste movimento científico popular fundado pelo Islam:

  • As Bibliotecas Públicas: Com base neste estímulo e incentivo que se tornou um princípio da religião, os muçulmanos fundaram as bibliotecas públicas, abertas para todas as pessoas, que podiam ler gratuitamente e copiavam o que desejavam de páginas de variadas ciências. Ainda mais, os grandes califas e emires recebiam nestas bibliotecas estudantes de variados países e custeavam os seus gastos de seu dinheiro particular. Estas bibliotecas existiram em abundância em todas as cidades do mundo islâmico[3], das quais as mais importantes eram: Bagdad, Córdoba, Sevília, Cairo, Jerusalém, Damasco, Trípoli, Al Madinah, Sanaá, Fass e Qairawan.
  • O surgimento de reuniões de estudo enormes: Antes do Islam, não existia entre os sábios quem falasse com o povo, porém, após o surgimento desta nobre religião difundiram-se os círculos de conhecimento em todo o mundo islâmico, cujo número de alunos chegava a números inimagináveis, a reunião de Ibn Al Jauzi[4] por exemplo, era assistida por mais de cem mil pessoas! Todos eram do povo, assim também eram os conselhos de Al Hassan Al Bassri, Ahmad ibn Hanbal, Asshafií, Abu Hanifah, Al Imam Malik. Ainda mais, às vezes, dentro de cada mesquita havia mais de uma oficina de ensino ao mesmo tempo, esta ensinava a interpretação do Alcorão (attafssir), a outra o entendimento da religião (al fiqh), a outra ensinava a ciência dos ditos proféticos (al hadith), e a quarta oficina ensinava a crença (al áqidah), e a quinta oficina ensinava a medicina, e assim por diante.
  • Considerar o gasto no conhecimento como uma doação e uma adoração a Allah, exaltado seja: Isso fez os ricos da população muçulmana gastarem suas riquezas na construção das escolas e nas casas de ciência, e ainda estabeleciam os erários para o auxílio dos estudantes e para a construção de bibliotecas e para desenvolvimento das escolas. Assim, o gasto em prol da ciência e do conhecimento tornou-se uma das portas de benfeitoria para os ricos também, e não só para os sábios.

 

 

E assim, a questão do conhecimento era geral e pública, importava e pertencia a todos. A busca do conhecimento é obrigação de todo muçulmano, então, difundiram-se as bibliotecas e multiplicaram-se as reuniões e oficinas de conhecimento e eliminou-se grande parte do analfabetismo!

 

 

[1] Ibn Majah (224), Abu Ia’la (2837), Al Suiuti em Al Jami’Al Saghir (7360). O Sheikh Al Albani disse: autêntico. Veja: Sahih Al Jami’ (3913).

[2] Abu Daud: Kitab Al I’lm (Livro do Conhecimento) (3641), Al Tirmizhi (2682), Ibn Majah (223) e outros.

[3] Iremos abordar isso num capítulo exclusivo sobre o ensino e as bibliotecas na civilização islâmica.

[4] Ibn Al Jauzi:Abu Al Faraj Abdul Rahman ibn Ali ibn Muhammad Al Qurashi Al Tamimi (510 – 592 dH). Jurista da escola hanbali, historiador considerado uma enciclopédia. Escreveu livros em várias ciências e artes. Nasceu e morreu em Bagdá. Veja: Al Zhahabi: Siar A’alam Al Nubala 21/365.

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